Total de visualizações de página

domingo, 23 de novembro de 2014

Germina




Por três dias observei  chuva que caía serena lá fora.
Suas mãos, negras como a noite, me envolviam plenamente.
Deixei que seus beijos me levassem para longe.

Por três horas lamentei a sua partida.
Sinto-me perdida distante dos seus olhos.
Sinto-me abandonada nesse plano de provas e expiações.

Por toda a vida esperei que você voltasse,
Ou que eu partisse ao seu encontro.
Conto os dias.... Conto esta vida, este cárcere, essa ilusão.

No fundo nossa semente brota.
E aguarda silenciosa por este amor que me manterá viva....
Por mais algumas horas.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Iceberg


Verteu a chama em gelo.
Paixão seca e dura.
Lágrima que cai impura.
E endurece no coração.

Nosso amor morreu, meu bem.
Metamorfoseou-se em um iceberg.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Privacidade




Sinto-me sufocada, invadida, violada.
Anseio pela alcova que era só minha.
Meu quarto, minha cama, meu mundo.

Deito-me nesse colchão que odeio,
Olho para o teto, olho para os lados...
Como se tentasse abandonar meu corpo e fugir daqui.

O pesar é soberano.

domingo, 9 de novembro de 2014

Lodo fétido




Somos todos feitos da mesma argila. 
Fomos todos feitos da mesma matéria impura.

Pergunto-me entre lágrimas
-Por qual razão alguns de nós se espelham nos anjos enquanto outros roem as beiradas do prato do inferno?

Sinto um confrangimento em minh'alma ao perceber que quero asas,
E você tenta, por prazer ou quiçá luxúria, rastejar no chão.

Espíritos simples e ignorantes numa mesma caminhada errante,
Você do lodo recrudesce em carvão,
Eu areia quero ser diamante.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Faceless crowd




É fácil substituir pessoas.
Algo que eu aprendi como você.
Qualquer prazer efêmero pode ser obtido na lascívia da rua.
Foi depois de me despir diante dos teus olhos
que eu percebi como eu era por dentro.
Podre, sem vida, morta.
Morta como todo sentimento que um dia eu cultivei por ti.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prisioneira do vazio



Solidão carcereira das minhas horas,
Entra e sai quando bem quer.
Faz-me refém de teus perturbadores silêncios.
Faz- me refém das horas vazias de meus dias vagarosos.
Contas minhas lágrimas em seu ábaco,
Segue a gargalhar de meus dolorosos suspiros.

domingo, 10 de agosto de 2014

The space between us





Ele me reencontrou no dia em que você me perdeu.
Há sempre mãos que me aguardam quando caminho para longe de ti.